Cientistas desenvolvem técnica para cura de Parkinson em macacos

19 10 2009

‘Cientistas franceses e britânicos criam “fábrica” de dopamina e devolvem movimentos aos primatas. Primeiros testes em humanos já estão em andamento — e pacientes mostram melhoras, sem os efeitos colaterais da atual medicação’

O mal de Parkinson (também conhecido como doença de Parkinson) é uma doença crônico-degenerativa e sua causa ainda é desconhecida, mas vários autores consideram que fatores genéticos, o acúmulo excessivo de radicais livres de oxigênio, as infecções virais, o traumatismo craniano, o uso de medi­camentos antipsicóticos e fatores ambientais, possam ser desencadeantes desta doença.

Os sintomas mais frequentes são tremor de repouso, bradicinesia (lentidão anormal dos movimentos voluntários) e rigidez. Há uma desordem progressiva do movimento, e em alguns casos, observa-se desequilíbrio, tontura e além disso, outros sintomas associados podem estar presentes e relacionados a causas etiológicas de origem sensorial .

Sabe-se que ocorre uma diminuição de dopamina (neurotransmissor que “estimula” o Sistema Nervoso Central) produzida na substância negra, no cérebro.

Utilizando a terapia genética – tecnologia que consiste na modificação e manipulação direta de material genético, onde um gene “normal” é inserido no genoma para substituir um gene “anômalo” causador de doença, utilizando uma molécula transportadora, chamada ‘vetor’ – cientistas britânicos e franceses podem ter definitivamente aberto caminho para a cura deste mal, conseguindo um índice de recuperação de movimentos em 80% de macacos submetidos à MPTP, uma toxina capaz de imitar os sintomas da doença.

A técnica consistiu na degeneração das células da substância negra, interrompendo a produção da dopamina, através da injeção da toxina MPTP e, posteriormente, utilizou-se um vetor lentiviral derivado do vírus da anemia infecciosa equina, não patogênico em humanos.

Nesses lentivirus foram acoplados três genes essenciais para a biossíntese de dopamina.

Incapaz de se replicar, o lentivírus transformou-se apenas em um veículo de transporte de genes terapêuticos até as células-alvo do cérebro.

“A produção dessas enzimas é suficiente para converter as células não produtoras de dopamina em ‘fabricantes’ do neurotransmissor”, comentou Kyri Mitrophanous, especialista da farmacêutica Oxford Biomedica, com sede no Reino Unido, e um dos autores do estudo.

“O real potencial de nosso método é que ele produz dopamina localmente e de forma contínua, prevenindo complicações motoras e prolongando os benefícios aos pacientes que fazem o uso de Levodopa (L-Dopa, um precursor imediato da dopamina) oral”, afirmou à reportagem Stéphane Palfi, cientista do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Henri Mondor, em Paris, que também assina a pesquisa publicada na revista científica Science Translational Medicine.

“Os testes clínicos com humanos já começaram. Estamos nas fases I e II, nas quais avaliamos a segurança e a eficácia do ProSavin (nome dado à tecnologia utilizada) em pacientes com estágios de Parkinson de moderado a grave. Seis doentes estão em tratamento. Já observamos melhoras no comportamento de todos eles”, comemora Mitrophanous.

Fonte: CorreioWeb.


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