Caso Maísa, apresentadora mirim do Silvio Santos, serve de alerta aos pais

24 05 2009

Na última quinta-feira foi instaurado inquérito civil público, pelo Ministério Público Federal (MPF), para averiguação das condições de exposição da apresentadora mirim Maísa Silva, 7, no Programa Silvio Santos, transmitido pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), que teriam desrespeitado o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o qual garante o respeito à dignidade do ser humano em desenvolvimento. A situação trouxe à tona o debate entre psicólogos sobre a necessidade de a criança viver a sua infância e, ainda, de situações em que o público infantil deixa de brincar para exercer diversas atividades.

O caso dela (Maísa) expressa muitos e reflete o respeito que as pessoas deixam de ter e de considerar sobre o desenvolvimento da criança. A engraçada face ingênua da apresentadora representa a imaturidade da menina e a sua exposição, assistida com satisfação em diversos lares, tornando-se um produto de consumo.

A Maísa cumpre determinações contratuais, o que implica na satisfação, ou não, de um chefe que tem poder de puni-la. São tarefas que exigem separações (pessoal e profissional) e ela não pode se entristecer por isso. Daí aparece o conflito dela, menina assustada com determinada situação e que começa a não corresponder a uma determinação superior.A circunstância expõe a criança de forma declarada.
Maisa
A explicação encontrada é que a emissora de televisão sabe que Maísa é um produto de venda e já se tornou referência em consumo. A responsabilidade pela exposição que acontece no SBT passa pela família, que permite o trabalho; pela emissora, que emprega criança; e termina na sociedade, que assiste o conteúdo sem nenhum questionamento. O perigo do tratamento da criança apresentadora, que se apronta para o mundo adulto, como mera mercadoria exposta ao desejo de consumo pode gerar uma decepção.

Ela demonstra-se madura, mas não é. É como se o adulto (Silvio Santos) se esquecesse que ele passou por esta fase. O papel de Maísa no SBT é delicado e não deixa de ser um trabalho infantil. Não se pode tirar da criança o brincar e substituí-lo pela pressão de decorar um texto.

Como permitir que esta criança (Maísa) continue exposta? Quando o ser em desenvolvimento é obrigado a fazer o que não quer, ele perde a autoconfiança e a auto-estima.

MPF REQUISITA VÍDEOS

O MPF requisitou cópias ao SBT dos programas Silvio Santos, dos dias 10 e 17 de maio, bem como, cópia do contrato firmado entre a emissora de tevê e Maísa ou seus pais. Nas duas últimas edições do programa, a menina chorou enquanto o apresentador ria dos fatos. Além disso, Maísa foi trancada em uma mala. A menina de sete anos entrou em prantos ao ver uma pessoa mascarada e depois por ter sido provocada por Silvio Santos, momento em que bateu a cabeça em uma câmera. As medidas do MPF visam prevenir a menina contra atos de exploração de trabalho e para sua saúde física e psicológica. O SBT deverá se manifestar nesta semana. A Promotoria de Justiça de Infância e Juventude do Ministério Público do Estado de São Paulo foi comunicada sobre os fatos.


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6 responses

29 05 2009
Paulo

Bom,
Silvio Santos é uma pessoa admirável, trabalha muito bem, e é o ícone da TV brasileira. Mas o que aconteceu com a menina Maísa, não foram atitudes legais da parte do Empresário. Não teve a menor graça ficar rindo enquanto a menina estava aos prantos. Foi sim, um desrespeito ao estatuto da criança, espondo a mesma ao ridículo, podendo trazer traumas psicológicos à mesma.
Lamentável o acontecido. Acho que deve haver uma punição sim, deve ser revisto o contrato assinado pelos pais, mas não deve tirar a menina da TV, pois com certeza ela sentirá falta, e além do mais ela é uma graça de menina, animando as manhãs de várias crianças.

13 06 2009
Mônica Caldas

Ontem, 12 de junho além de ser o tão esperado dia dos namorados, foi também o dia nacional de combate e exploração ao trabalho infantil. A Constituição diz que é dever da família, do estado e da sociedade assegurar os direitos da criança, e o que nós família, estado e sociedade estamos fazendo, diante das crianças que encontramos diversas vezes ao dia exercendo trabalho penoso, insalube, sujeito a violência fisíca e/ou psiquíca? O caso Maísa serve de alerta sim para abrirmos os nossos olhos e fazer valer o que reza a Constituição Brasileira. Mônica Caldas

23 06 2009
josimara Esteves

Bom! Eu assisti o video diversas vezes e não vi nada de desrespeito, e muito menos de exploração vindas do Apresentador Silvio Santos, pelo contrário em muitos momento ele se expressou com muita solidariedade com a Maísa, eu fico me perguntando toda vez que escuto falar sobre este assunto, será que cobrar de alguém que fazer tudo por cima dos panos, legalizando todo o processo perante a justiça algo como xploração do trabalho infantil, vocês tem noção de quantas crianças muitas vezes menores do que a Maísa estão sendo força a trabalhar sem remuneração alguma e sem condições humanas de trabalho, estas sim estão perdendo o tempo de brincar, de estudar, e de se desemvolver como crianças tanto fisicamento tanto quanto pisicologicamente.

30 06 2009
Clecio de Paula Sil

Bom, na minha opinião expor ao ridiculo é ter que ficar trabalhando em um semafaro limpando para-brisa ou vendendo coisas para se sustentar, então, o MPF tem de entrar na justiça contra o Governo federal e exigir uma indenização tambem para estes pobres coitados e suas familhas, para que sainham das ruas. Esta menina esta tendo uma oportunidade; e estão tendando acabar com ela.Vai trabalhar e defender o povo MPF.

24 08 2009
Carlos Eduardo

O fato de haver um tipo de humilhação (criança trabalhando em semáforo) gravíssima não justifica que haja uma situação inadequada. Se há crianças humilhantemente trabalhando em semáforos é por razões muito complexas, como a falta de um sistema educacional justo e eficiente, situação que ninguém pode atribuir ao MP. Contra QUEM exatamente o MP deverá agir, por conta das crianças nos sinais?
Isso é um pseudo-argumento apenas, que foge do assunto, do âmbito de relevância da situação em questão. Isso em nada ajuda. É como quando um sujeito é preso por dirigir alcoolizado (colocando a vida das pessoas em risco) e manda a polícia trabalhar, por não estar “acabando com o crime organizado”, ou algo assim. O camarada que é preso por lidar com o crime organizado pode mandar, igualmente “a polícia trabalhar”, por não estar cuidando dos motoristas alcoolizados…
A questão em pauta é SE houve algo inadequado OU SE NÃO houve, naquela cena com a apresentadora. SE HOUVE, o MP tem mais é que intervir, sim.
E HOUVE?
Em primeiro lugar, eu gostaria de declarar que tenho grande admiração pelo Sílvio Santos, como empreendedor, comunicador e líder de um importantíssimo veículo de entretenimento. Costumo ter a impressão de que ele via de regra trata as pessoas com cuidado, e que, quando “pega no pé” de alguém, deixa claro que é brincadeira. Isto me parece ser algo geral no SBT, aliás. Há apresentadores que são realmente agressivos com as pessoas simples, atitude que contrasta com o trato dos mesmos, diante de estrelas ou celebridades.
Olhei cuidadosamente para a cena em questão, pois sou da área de educação e a questão pareceu-me importante.
Não me pareceu, POR UM LADO, que o Sílvio Santos tivesse tido qualquer INTENÇÃO de maltratar a menina.
Ele fez algo muito comum quando uma criança chora “aparentemente sem motivo”, que é tentar pega-la pela mão, para dar-lhe segurança e mostrar que “não há motivo” para chorar.
Em seguida, vendo que o pânico da menina exorbitou, ele tentou manter a calma. No meu entender, sua INTENÇÃO não foi rir DA MENINA, ou “ridiculariza-la”. A intenção pareceu-me mais ser DA SITUAÇÃO, de modo a acalmar os ânimos da própria menina.
POR OUTRO LADO, muitas vezes, qualquer um de nós (incluindo o Sílvio Santos), mesmo tendo a melhor das intenções e sendo cuidadoso, pode tomar as piores decisões.
Foi o que pareceu-me ter ocorrido, no caso.
Quando uma pessoa tem pânico de uma situação, o que pareceu EVIDENTEMENTE ser o caso, não podemos, só porque nós não temos pânico da mesma, supor que “não há motivos para pânico”.
Por exemplo, há pessoas que têm todos os tipos de fobias: de escuro, de altura, de cachorros etc.
Achar que uma pessoa que tem fobia de cães “não tem motivos” para entrar em pânico, diante de um cãozinho mansinho, só porque nós não entramos constitui-se em EQUÍVOCO GRAVE.
Forçar ou mesmo permitir, em qualquer medida, que a situação ocorra é um EQUÍVOCO MAIOR AINDA.
A menina, tremendo, procurou explicar ao Sílvio que tinha “medo de monstro”. Naquele momento, a pequenina, do modo que pôde, procurou exprimir que tinha uma fobia.
A PARTIR DAQUELE MOMENTO, permitir que a situação ocorrêsse e tudo o mais que se seguiu formam uma seqüência de erros, e erros gravíssimos, embora não me tenha parecido em qualquer momento que o Sílvio tenha agido com outra intenção, senão acalmar a menina.
Mas foi como se alguém, com as mais puras intenções de apagar um incêndio, tivesse usado gasolina.
Foi GRAVE? Do ponto de vista educacional e psicológico, não resta a menor dúvida que sim. Uma criança ou qualquer portador de fobia não pode ser submetido a uma situação assim.
Mas foi EXPLORAÇÃO DO TRABALHO INFANTIL? Não me parece que tenha sido o caso, a não ser que fique comprovado que tais situações são recorrentes, e que sejam correlatas a algum tipo de lucro.
Não acredito que seja o caso, sinceramente falando!
Que tipo de medida seria então cabível? Uma orientação maior, não só ao Sílvio Santos, mas a QUALQUER pessoa ou instituição de comunicação lidando com crianças e com público, em geral, por parte de profissionais tecnicamente capacitados.
Estou certo de que o Sílvio Santos veria com bons olhos a idéia de montar uma pequena equipe de psicólogos e educadores especializados, para acompanhar as atividades dos programas.
Na medida em que o grande público identifica-se com as pessoas que aparecem na tela, o cuidado para com estas significaria uma repetição mais simpáticas por parte daquelas.
O Sílvio Santos cresceu como comunicador, na mesma proporção em que aplicou este princípio. Por exemplo, quando chamava as moças de seu auditório, por mais humildes que fôssem, de “colegas de trabalho”, conquistava a simpatia do grande público. Quando entregava prêmios a crianças pobres e frágeis (as “Cinderelas”), ganhava o público; assim como o Gugu Liberato o faz hoje, em programas que ajudam pessoas. Este é o caminho.
Há um certo público que gosta de ver as pessoas serem mal-tratadas, mas trata-se de sadismo, uma atitude disfuncional que não é a da maioria e não convém estimular.
No caso das crianças, a preocupação não somente deve ser psicológica, como também educacional. Programas de sucesso mundial, como o do dinossauro Barney e muitos outros são inteiramente produzidos por especialistas em psicologia e em educação infantil.
Sei que estendo-me muito, mas gostaria de ainda tocar em dois pontos, respeitando a importância e a delicadeza da questão.
Primeiro deles: Uma pessoa que tem uma fobia o síndrome de pânico tem uma particularidade psicológica, mas não deve ser rotulada como “maluca”. É preciso que se respeite as pessoas. Entendo que possa fazer mais mal a uma criança ler textos em que é classificada como “maluca” do que passar pela situação por que passou com o Sílvio. Por favor, sejamos sensíveis e cuidadosos!
Em segundo lugar, gostaria de falar sobre as REAIS, CONHECIDAS E ESTUDADAS seqüelas psicológicas de crianças superexpostas a situações sociais em geral, e à mídia, em particular. Pais que forçam seus filhos a estudar e os superexpõem como “estudiosos”… Pais que forçam seus filhos a treinar um esporte e os superexpõem como “campeões”… Adultos que permitem que crianças fiquem superexposas à mídia, apresentando-as como “estrelas”… Enfim, todos os adultos responsáveis por tais exageros estão (intencionalmente ou não) trazendo sérios e irreparáveis problemas para as crianças em questão. É preciso ter cuidado com isto também. Veja-se casos e mais casos de sequelas em ex-artistas mirins, no Brasil (vide o caso Simony) e nos Estados Unidos.

Seria dar um passo à frente, mais uma vez, que uma rede de televisão importante, que lide com crianças inevitavelmente superexpostas, tome a iniciativa de oferecer também uma boa estrutura de acompanhamento psicológico e educacional, com capacidade de acompanhar o trabalho da criança e, sobretudo, as atitudes dos adultos que as cercam, inclusive os pais, diretores etc.
Creio que deixo críticas aqui, mas que me parecem construtivas. Não sei qual é a margem de manobras do MP, mas seria interessante que ele pudesse cobrar aperfeiçoamentos em tais sistemas, em vez de simplesmente lançar mão de rótulos como “exploração de trabalho infantil”. É claro, na medida em que não se instalmem aperfeiçoamentos, aí sim, cabe distutir se houve tal “exploração”

Pri

30 12 2009
hevila

quero ser atris eu sei conttasenar muinto bem por favor se tiver uma vaga para min fico muinto mais muinto agradecida mesmo obrigado mesmo

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