Concurso público: quantas horas devo estudar?

9 03 2009

É muito freqüente os candidatos formularem esta pergunta, que normalmente denuncia quem está querendo estudar o mínimo (desde que seja suficiente pra passar) e transferir a responsabilidade pela aprovação para o curso, para o livro, para o professor, para os colegas do grupo de estudos, para quem responde…

Isso envolve a lei do menor esforço e a busca pela melhor relação custo/benefício. O compromisso com a aprovação deve ser, mais do que de qualquer outra pessoa, do candidato. Ele será o maior beneficiado com a aprovação, e por isso deve ter em mente a busca perene pelo seu aperfeiçoamento, por resultados cada vez melhores em provas, simulados e concursos.

Se alguém com muita experiência responde “bastam 4 horas por dia”, como já vimos ser ensinado na televisão, certamente haverá quem cumpra a tarefa e, ao ser reprovado diga: fiz a minha parte. E passa a achar que o concurso é algo que não está a seu alcance. Primeiro precisamos esclarecer o conteúdo da pergunta. Não está expresso, mas o que se quer saber é “quantas horas eu preciso estudar para passar”. Ora, o mais próximo do ideal seria procurar saber quantas horas são suficientes para que o candidato esteja preparado para as provas, valendo destacar que nem sempre os candidatos suficientemente preparados passam, assim como muitos que ainda não estão preparados conseguem a vitória antes da hora.

Esse resultado é típico dos concursos, e se deve ao fato de que a avaliação do “estar preparado” toma como referência apenas o conhecimento do candidato em relação aos programas das disciplinas cobradas nas provas, esquecendo-se, a grande maioria, de um fator que tem importância capital: o saber fazer concursos. Por isso é que alguns preparados não passam, e outros ainda não preparados passam, dando a falsa impressão de injustiça nos resultados.

Até aqui já deu para perceber que a pergunta, se mal formulada, portanto, não é tão útil, já que o que se almeja, em verdade, é a aprovação, e não, evidentemente, o simples fato de estar preparado.

Vamos tentar responder mesmo assim. Antes, porém, atentemos para a qualidade do estudo. Duas horas bem aproveitadas valem mais que quatro horas de simulação de estudo, em faz-de-conta, sem concentração ou compromisso com o aprendizado, apenas para dizer que foi feito o que o mestre mandou e poder a ele transferir a responsabilidade pela eventual reprovação. Ou apenas para se chegar à falsa conclusão de que você não consegue passar em concurso, como acontece com a grande maioria dos que o fazem de vez em quando. Acresça-se a isso o tipo de material usado, a companhia, quando se trate de estudo em grupo, além de vários outros fatores que transcendem o simples “quantas horas”. Até mesmo se o nível das lições ou da leitura é compatível com sua condição, com o seu conhecimento anterior.

Sendo objetivo, respondo agora, depois de alertar para os fatores acima: o número ideal de horas de estudos é o máximo que você puder, pois quanto maior a dedicação mais rapidamente ocorrerá a aprovação. Não pense em um concurso só, mas sim na sua condição de concurseiro, que concorre a várias vagas em concursos diferentes, claro que sem misturar matérias a ponto de se prejudicar. Neste máximo pondere seus outros deveres e interesses, como a família, a religião, o lazer, o descanso, o trabalho etc. E nunca esqueça que o cansaço é um valioso sinal do seu corpo e de sua mente; um alerta que deve ser respeitado como medida de segurança, o que evitará prejuízos à sua saúde. Se ele aparece com freqüência acima do normal, é hora de procurar ajuda médica e passar a fazer atividade física, pois isso é indício de sedentarismo.

Tome, portanto, como medida para sua carga de estudos, o máximo possível, sem sacrifícios excessivos. Você só ganhará com isso. À medida em que você vai fazendo provas e vendo que poderia acertar mais com um pouco mais de estudo, a preparação vai se tornando um processo cada vez mais estimulante e até prazeroso, de maneira que você deixará de pensar em falsas comodidades.

Lembre sempre: estudar o mínimo é tornar máxima a distância em relação ao sucesso, e seu comodismo é o combustível dos seus concorrentes.

Autor: Waldir Santos (concurseiros@concurseiros.com.br), é Professor, Advogado da União e Conselheiro da OAB/BA.


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One response

15 09 2009
luis.10

Valeu pelas sábias palavras aqui ditas.
Parabéns,esse texto é um dizafogo para todos.

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