Italianas vão receber "GPS rosa" para evitar estupros

22 02 2009

09051359Cerca de 200 mulheres da cidade italiana de Monza vão ter aparelhos de GPS, batizados de “caixas rosas”, que serão instalados em seus veículos nas próximas semanas, em uma iniciativa da prefeitura local de evitar crimes sexuais. O serviço irá funcionar 24h e alertar a patrulha mais próxima da área de onde partir o pedido de socorro.

Inicialmente, o uso seria como um sistema antifurto instalado gratuitamente nos veículos das mulheres, que podem ser acionados à distância, num raio de 150 metros do veículo. A distribuição do aparelho tinha sido prevista para dar maior segurança às mulheres que pudessem estar em dificuldades devido a um acidente rodoviário, por exemplo.
Mas, diante da atenção despertada por alguns casos de estupros, o aparelho ganha uma importância ainda maior e uma nova interpretação.

Monza tem cerca de 120 mil habitantes, 63% do sexo feminino. A seleção das candidatas para usar o equipamento segue a orientação do CADOM, o Centro de Ajuda de Mulheres Maltratadas, mas muitas preferem não revelar que foram vítimas de agressão.

Tiveram preferência as mulheres que trabalham de noite ou durante a madrugada e vítimas que já denunciaram agressões ou viveram ou vivem situações de risco de abuso sexual, ameaças e perseguição por parte de ex-companheiros ou desconhecidos.

Outras grandes cidades italianas também pretendem adotar a medida.

A prefeitura de Milão anunciou a distribuição de mil aparelhos de GPS. Eles vão ser doados para moradoras de quarteirões com maiores índices de criminalidade e instalados de graça. As mulheres irão ficar com o aparelho durante três anos.

A mesma experiência vai ser repetida em Roma. Nos já tínhamos pensado nesta utilização contra a agressão sexual“, disse Matteo Avico, diretor de comunicação da fundação Ania (ONG que promove a segurança rodoviária), que apresentou o projeto em 2007.

Pulseira

A experiência dos aparelhos de GPS colocados à disposição das proprietárias de veículos pode minimizar o problema, mas as mulheres que não possuem carros ainda continuam sem opção de proteção.

A minha grande preocupação também é com as mulheres que usam os transportes públicos, caminham a pé e que precisam de segurança. Estamos estudando uma parceria para dar a elas um instrumento de ajuda eficaz“, disse Martina Sassoli.

Uma das hipóteses é o uso de uma sofisticada pulseira com um chip embutido. A emissão dos sinais começa quando a pessoa aciona um dispositivo que, por sua vez, acende o radiotransmissor preso ao corpo ou dentro da bolsa, ao alcance da mão. O sinal de socorro chegaria diretamente à central de polícia.


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